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domingo, 9 de agosto de 2020

AMÉRICA - I



“Um dia as grandes potências se tornarão amigas.
Seus fortes poderes serão vistos crescendo.
A nova terra (América) estará no cume desta força.
Para o homem de sangue o número é informado”.

Nostradamus (quadra II, centúria 89)



A América era conhecida dos Vikings, dos celtas e da Igreja. Os primeiros tinham mais contato com a América do Norte, cuja colonização foi através dos povos nórdicos europeus; os segundos estabeleceram comércio com fenícios e gregos, importando pau-brasil (ou “breazil”), madeira originária de uma ilha mítica situada além do horizonte irlandês, cujo nome faz referência à madeira em brasa, do vermelho rubro (inclusive no livro Parsifal, escrito por Eschenbach, na Idade Média, por volta de 1.200, cita o pau-brasil); e a Igreja, que já conhecia a América, queria proteger a Europa de rituais pagãos de sacrifícios humanos da América Central.

Completamos 500 anos do “Hy Breazil”, nome dado pelos celtas irlandeses ao nosso Brasil, cuja origem remonta à palavra celta “bress”, que deu origem ao verbo inglês “to bless” = abençoar. Nesse sentido, “Hy Breazil” significa em celta: Terra Abençoada. Outra lenda reza que o Rei Arthur foi enterrado nesta “Terra Afortunada”, apontando que o futuro do ocidente se encontra lá onde o sol se põe.

Chegado o momento certo, dois impulsos provenientes da Península Ibérica aportaram nestas terras, como imagem espelhada, refletindo as duas línguas: “espanhol — português”, coincidindo o final do latim com o Cabo Finisterra.

Portanto, a evolução civilizatória dá um novo salto, com o descobrimento de novas terras, além desse promontório espanhol, considerado o final da Europa. Fazendo uma retrospetiva, a evolução humana segue a marcha lenta dos milênios, após o dilúvio (afundamento da Atlântida), conforme desenho abaixo:

1ª época cultural = Índia
2ª época cultural = Pérsia
3ª época cultural = Egito-Caldéia-Babilônia
4ª época cultural = Grécia-Roma
5ª época cultural = Europa (atual)
6ª época cultural = América (?)

O quê temos ainda para crescer? Será na ciência ou no ser humano? Claro que a tecnologia irá cada vez mais se aprofundar na matéria e nos distanciar do ser humano. Qual a compensação que temos que fazer para buscar o equilíbrio entre ambos?

Este papel caberá ao Brasil. O quê nosso país tem como contribuição para o mundo, além das nossas Commodities? Temos a promessa dos índios, quando os portugueses aqui aportaram: “aqui nascerá uma raça dourada”. Graças à miscigenação, acolhemos o mundo inteiro e “pensamos com o coração”. Esta qualidade nos capacita a desenvolver o amor entre todos, no sentido de aprendizado social, de conviver com nossos dissemelhantes.

Qual nossa contribuição para o mundo? Resgatar o 1º membro do organismo social, a Vida Cultural/Espiritual da humanidade (liberalismo), que atualmente se esconde atrás das Vidas Política e Econômica; mas ela precisa nascer no seio da sociedade brasileira como órgão autônomo em Brasília (DF). Nossa sugestão é criar o Conselho Cultural do Brasil (CCB). Dessa maneira resgataremos os três pilares da sociedade, entre

liberdade - para a Vida do indivíduo
Igualdade - democracia/justiça
Fraternidade - Economia

Dr. Antonio Marques
Membro do CCB

AMÉRICA- II




Como mostrado no texto anterior, após a descoberta de novas terras, as três Américas receberam três impulsos distintos, que iriam selar seus destinos e missões: a do Norte = dos povos do hemisfério norte europeu; a do Centro/Sul de língua espanhola = da Espanha; e a do Brasil = dos Celtas (que deram o nome “Hy Breazil” ao nosso Brasil) e de Portugal (através dos “Templários”).

O quê essa ordem militar cavalheiresca cristã medieval, que atuou entre 1119 a 1312, tem de importância para o Brasil? Nesse período prevalecia o “ora et labora” ou bimembração social (Religião - Estado); mas, mudanças viriam com as circulações de pessoas e de dinheiro — com as Cruzadas e com o crescimento da classe média, a qual começou a viver da compra e da venda, respectivamente. Mas a Igreja impôs sua bula pontifícia “renovatio monetarum”, a qual condenava a “usura” (empréstimos a juros): não se podia emprestar dinheiro e ainda usufruir lucro dessa transação — quem assim procedesse seria “ladrão”, pois quem pede dinheiro o faz por necessidade; e além disso estaria roubando o “tempo”, que é de Deus (não se podia lucrar no tempo, com aquilo que não é seu). Conceitos estranhos para nossa atual época sem história e sem sentido. Por isso estamos resgatando o passado para termos futuro.

Foi justamente aí que entram os Templários, implantando uma inovação: o “sistema bancário” (por se realizar no banco da praça), permitindo ressarcimento do valor em outro local, letras de câmbio, trocas de moedas etc. Para onde foi essa fortuna manipulada por eles, uma vez que não podia render juros? Foi para construções de igrejas (em 200 anos foram construídas 300 catedrais: Chartres, Rouen, Reims etc), para manter pessoas e frota de caravelas, dentre as quais algumas foram usados pelo “templário” Pedro Álvares Cabral para descobrir o Brasil. Por isso suas velas insufladas ao vento (veja imagem) portavam a “Cruz Templária”. Com isso implantou-se precocemente na história o “ora, convive et labora” ou trimembração social (Religião - Estado - Economia), que deveria nascer no Renascimento.

Essa ordem foi massacrada na Europa (em 1312), mas sobreviveu em Portugal como “Ordem de Cristo”, através da qual trouxe este impulso futurista à “Terra da Santa Cruz”. Essa semente foi plantada na “Terra Abençoada” (Hy Breazil) ao se realizar o primeiro gesto de grandeza e humildade: levantar a “cruz” para a “primeira missa”. Este é o nosso destino e a nossa missão: concretizar a Trimembração do organismo social:

Vida Cultural/Espiritual — liberalismo
Vida Política/Jurídica — igualdade
Vida Econômica — fraternidade

Desperte Brasil

Dr. Antonio Marques
Conselho Cultural do Brasil (CCB)



AMÉRICA - III




Cada fase civilizatória prepara a próxima com novas ideias e conteúdos para serem desenvolvidos no futuro. Assim foi com a 4ª época cultural Greco-Romana, que presenteou com “filosofia e direito” a 5ª época cultural Europeia. Assim também recebemos de “herança” o impulso Templário europeu, como vimos no texto anterior, para se concretizar na 6ª época cultural Americana (?) — a Trimembração Social.

Um exemplo de como esse “presente” foi acolhido e incorporado ao nosso país, pode-se constatar no traçado arquitetônico “triangular” da cidade de Juiz de Fora (MG), cujos vértices representam as três esferas do organismo social trimembrado.

Por volta de 1702, o bandeirante Garcia Rodrigues Paes inicia a abertura do Caminho Novo, trilha de penetração de São Paulo às Minas Geraes - depois conectado ao Rio de Janeiro (Estrada Real), como alternativa ao Caminho Velho, de Ouro Preto à Paraty. De um pequeno povoado no Caminho Novo transformou-se em sede comunitária de proprietários agrícolas, prestação de serviços e em torno da primitiva capela de Santo Antônio (hoje Catedral), surgiram casas e comércio. A “fazenda do juiz de fora” ficava à margem esquerda do rio Paraibuna (hoje Av. Garibaldi) - mas o casario foi demolido, por falta de consciência histórica de seus proprietários e do poder público.

Mas a cidade só iria se desenvolver à margem direita desse rio, pelas mãos do engenheiro alemão Heinrich Wilhelm Ferdinand Halfeld, um dos herdeiros da fazenda do juiz de fora, que enxergava longe, tanto que traçou a Rua Direita tão larga, para uma cidade recém criada, que cabem 7 carros lado a lado — hoje Av. Rio Branco.

O quê esta cidade mineira tem de importância no cenário nacional, se não participou das fases clássicas dos impulsos de Minas, que são: fontes auríferas, Barroco Mineiro e Conjuração Mineira (fases anteriores à sua história)? O que ocorreu aqui foi um passo para o futuro, realizando-se precoce e pioneiramente, a “industrialização”, com a 1ª usina hidrelétrica da América do Sul (1888), a mais segura estrada do século XIX, a União Indústria (ligação com o Rio de Janeiro), o maior parque têxtil do país (Manchester Mineira), maior percentual econômico de Minas etc, trazendo a reboque: indústrias, fábricas, tecelagens, alfândega, estrangeiros etc. Paralelamente uma vida cultural rica e promissora, com teatros, jornais, associações, ligas, sociedades, irmandades, conferências, maçonaria etc. refletindo a vontade de criar imagem inovadora para fugir da tradição escravagista e o desejo de civilizar-se nos moldes europeus. E uma vida política/jurídica nobre e ilibada. O mais impressionante é que essas três áreas do organismo social compõem o retalhamento do “triângulo” central da cidade, cujos vértices representam cada uma das três áreas sociais (vide desenho). Pode-se nomear de “trimembração geodésica”, concretizando cronológica e esteticamente os setores: “jurídico/político - cultural - econômico”.

Para completar, como um grande embrião (afinal toda iniciativa da Trimembração Social é precoce para a época), por último, nasce seu “coração geodésico” no centro desse triângulo — o Theatro Central (1929) — assim como nasce o coração embrional humano depois que tem circulação sanguínea.

Juiz de Fora atingiu em 100 anos um desenvolvimento vertiginoso e meteórico, com industrialização próspera, vida cultural rica e política digna. Com a necessidade de construir a capital mineira, seus recursos financeiros foram remanejados para lá e Juiz de Fora caiu num ostracismo e perdeu seu brilho próprio. Ficou este legado do “impulso do tempo”. O quê promete no futuro?

Sempre na história da humanidade aparecem pioneiros com mensagens inovadoras e progressistas, que aceleram a evolução e impulsionam a cultura, como sopro do “espírito do tempo”, como prenúncio para futuras épocas.

Dr. Antonio Marques
Conselho Cultural do Brasil (CCB)




AMÉRICA- IV



“A consciência histórica é a chave para uma compreensão criativa do futuro” - Lex Boss


Sabemos dos textos anteriores que o “impulso Templário” — cuja essência tem a ver com a trilogia “ora, convive et labora” (trimembração social) e seu principal mote: lidar com o “dinheiro” (sistema bancário) de forma altruísta — foi trazido ao Brasil para ser concretizado na futura época cultural Americana.

Esse “espírito do tempo” retornou no séc. XVIII, denominado “Iluminismo”, varrendo o mundo ocidental, clamando contra o colonialismo e o absolutismo; e buscando novo paradigma social àquele que nos precedeu, a Idade Média, denominado Idade das Trevas. Mas não adiantaram as revoluções mundo afora: Suíça, Norte-americana, Inglaterra, Irlanda, Países Baixos, Bélgica, Gênova e finalmente França (1789). E o quê o Brasil tem a ver com isso? — Nós também fizemos parte e tivemos as nossas revoluções, conhecidas como “Conjurações”: Mineira, Bahiana, Pernambucana, Carioca e Suassuna.
Seus três ideais eram:

Liberdade — no pensar (liberalismo)
Igualdade — na vida do direito (democracia) Fraternidade — na vida econômica (socialismo)

——

Obs.: A palavra “Socialismo” é conhecida erroneamente como viés político — no entanto seu verdadeiro significado etimológico é = trabalhar para o social, trabalhar para os outros; ou seja, faz parte da esfera econômica, onde deve imperar a fraternidade.

——

— Porque ainda não estamos vivendo sob a égide da Trimembração Social? Será que perdemos a memória histórica? Não demos um passo para frente e ainda amargamos a sociedade “bimembrada” (polarizada) entre “Política - Economia”? Onde está a Vida Cultural/Espiritual (liberalismo)?

— O motivo é porque não tivemos o grão-ducado de Kaspar Hauser von Baden (1812 – 1833), no sul da Alemanha, neto de Napoleão Bonaparte. Este, ao vencer o Sacro Império Romano-Germânico (Áustria e Prússia) na batalha de Austerlitz, aglutinou 16 estados alemães sob a denominação de Confederação do Reno (Rheinbund), querendo com isso conseguir a paz na Europa e concretizar o “iluminismo”, através de seu neto Kaspar. Mas este foi raptado ao nascer, preso incomunicável e assassinado aos 21 anos.

Enquanto na França ocorreu a Revolução armamentista, com a queda da monarquia, na Alemanha a Revolução foi filosófica, através de Friedrich Schiller (1759 – 1805) com suas “Cartas Estéticas”. O que essas Cartas falam? Elas relacionam os impulsos humanos com as forças sociais presentes no organismo social e sugere encontrar um meio termo, que ele nomeia de “Cultura”. O grão-ducado de Kaspar serviria de vitrine para mostrar ao mundo este organismo social trimembrado schilleriano de forma “imagética” (em imagens) e hoje saberíamos como concretiza-lo no mundo.

E como seria essa nova sociedade e como ela estaria organizada? “Ao lado do Parlamento Político, que administra a posição jurídica do indivíduo perante a coletividade e do povo todo perante o mundo internacional, e ao lado do Conselho Econômico, que deve zelar pelas bases materiais da vida do povo, precisamos de um Conselho Cultural que se preocupe com os assuntos espirituais e tenha como tarefa a promoção dos mesmos” (Rudolf Steiner, Dornach, Suíça em 26.12.1920 - GA 202).

Por isso nossa proposta: precisa-se criar o Conselho Cultural do Brasil (CCB) em Brasília DF, como “poder moderador”, para dialogar com os outros dois poderes.

Mais informações no livro “Psicologia Goethiana - projeto de sociedade que todos queremos - a mudança começa comigo”, São Paulo : Barany, 2016, deste autor.

Dr. Antonio Marques
Conselho Cultural do Brasil (CCB)

AMÉRICA - V



Essas crises sociais, raciais etc que estão acontecendo mundo afora, são decorrentes do nosso atraso civilizatório. O mundo parou lá atrás na bimembração social, entre: “Política - Economia”. E esses conflitos tenderão a piorar se não despertarmos para a necessidade de resgatar a Vida Cultural/Espiritual (liberalismo), como novo membro autônomo do organismo social trimembrado:

Setor Cultural — liberdade (indivíduo)
Setor Político/Jurídico — igualdade (leis)
Setor Econômico — fraternidade (trabalho)

Quais as finalidades e as atribuições de um Conselho Cultural?

Não se deve imputar ao Conselho Cultural discussões acaloradas em conclaves filosóficos, literários, artísticos etc. É preciso lembrar que a vida do indivíduo (espiritual) só se torna produtiva dentro do mundo; ou seja, só “nascerá” se ingressar na vida econômica. Como conceito, a vida do “indivíduo” tem a ver com educação, ensino, cultura, ciência, arte, sabedoria, amor etc, que se situam dentro dele como “ética” ou busca de qualidades virtuosas (liberalismo) e que se deve realizar no mundo como bom produtor “moral” (ou seja, trabalhar para os outros).

Mas, por ignorância dos governantes (e nossa também) o Estado induz uma ciência, uma pedagogia, uma cultura, uma medicina, uma sociedade, uma economia,... com finalidades “egoístas”, da supremacia ESTATAL. O mesmo se pode dizer da hipertrofia econômica ou NEOLIBERALISMO. Sem falar da corrupção, que vem à reboque. No entanto, se a vida espiritual do indivíduo não recebe a liberdade necessária para crescer e desabrochar, essa “força” retrocede e se transforma em “egoísmo” doentio na vida individual, em “guerra” na vida política e em “concorrência” na vida econômica (entre produtores). E os consumidores passam a reivindicar para si direitos “ilimitados” de escolha para todas as possibilidades de prazeres que se possam comprar.

No fundo, o que está faltando ao organismo social trimembrado é a “Vida Cultural”, que deve nutrir espiritualmente a atuação do homem, para que ele se torne “moralmente produtivo”. Por isso se pleiteia criar o Conselho Cultural do Brasil (CCB) em Brasília (DF); e nessa triangulação é preciso delimitar as atribuições de cada área do organismo social. O Estado deve promover a igualdade entre todos perante as leis, segurança, meios de transporte, saúde pública, saneamento básico, imposto público, representar o país etc. A Economia tem a ver com “produção - circulação - consumo”.

Só não existe atualmente o Setor Cultural/Espiritual, como representante do indivíduo — e uma das suas metas deverá ser o de fomentar a atividade cultural, a ciência, a educação, a de promover o indivíduo na sociedade, a de integração internacional etc. O “dinheiro”, que é um instrumento da vida espiritual no mundo, deverá ser usado com esse objetivo. Para isso, será preciso criar um departamento específico dentro do CCB, como “Banco Social” (a sugestão é encampar o BNDES), no sentido de que o dinheiro cumpra duas das suas finalidades: “empréstimo” para o indivíduo moralmente produtivo e de “doação”, para atividades culturais, científicas e filantrópicas.

Também outros departamentos devem ser criados dentro do CCB: de ensino, profissões, cultura, arte, ciência, tecnologia etc. Mesmo que continuem os Ministérios da Cultura (MEC), da Saúde (MS), da Ciência e Tecnologia etc, atrelados ao Estado, nas suas funções burocráticas, suas “racionalidades” e “conteúdos programáticos” devem ser prerrogativas do CCB.

Portanto, tanto a vida do indivíduo, como a vida jurídico-política, como a econômica precisam do “alimento” que vem do Setor Cultural. No primeiro caso, precisa-se resgatar a dignidade humana ao entender o ser humano como ser que precisa realizar-se no mundo; em segundo lugar precisa-se elaborar “leis” mais condizentes com a condição humana, que se fundamentem na vida do “direito”; e em terceiro lugar, necessita-se da participação de pessoas com “juízo econômico”, que entendam da prática econômica, que possam fundar “associações econômicas”, para dar rumo certo à realização do homem no mundo.

Dr Antonio Marques
Conselho Cultural do Brasil (CCB)

AMÉRICA - VI




O mundo precisa de mudanças! Como realizá-las?

A última mudança aconteceu em 1945, em Bretton Woods (USA), no pós-guerra, quando dois planos econômicos estiveram na mesa de discussão, visando a recuperação da economia mundial. Quem ganhou todos sabem. O Plano White (FMI = Fundo Monetário Internacional), norte-americano, em detrimento ao Plano Keynes (ICU = International Clearing Union ou Câmara de Compensação Internacional), do economista britânico John Maynard Keynes (1883 – 1946). O que este propunha? 

Ele “criava uma espécie de Banco Internacional sui generis para as transações de comércio no pós-guerra, a fim de realizar o equilíbrio automático no balanço de pagamentos das nações participantes. Essa Câmara (ou Banco Mundial) podia dispensar seus membros de qualquer depósito em ouro, dólar ou outra moeda. Ao contrário, ela criava uma nova moeda internacional (de natureza escritural), denominada ‘Bancor’, a ser creditada (como doação) nas contas dos Bancos Centrais dos países participantes, em cotas diferentes (mutantes) segundo o volume de comércio exterior de cada um. A maior originalidade do plano estava, entretanto, na sugestão de se aplicar um tributo sobre os países credores e devedores sendo que o dos primeiros seria uma espécie de ‘juro negativo’, a fim de compeli-los a utilizar seus ‘Bancors’ na compra de produtos das nações devedoras, tornando assim compulsória a participação dos credores no ajuste ao equilíbrio”.
(Fernandes, S. A libertação econômica do mundo pelo esquecido plano Keynes. Rio de Janeiro: Nórdica, 1991. p.128-9).

Por motivos espúrios, o Plano Keynes foi execrado do mundo “economês” moderno e nem seus enunciados são conhecidos. No entanto, Keynes “só é viável” numa sociedade humanizada, como se está propondo nestes textos, muito distante deste mundo polarizado no qual estamos vivendo (esquerda – direita), entre “Imperium ESTATAL” e “Imperium ECONOMICUS”.

A pergunta que se faz: queremos continuar nesse modelo econômico distorcido e cruel, que torna os países e as pessoas “pobres mais pobres?” (making the poor, poorer?) dizia Keynes.  Só que a resposta não se encontra na Economia nem no Estado, mas no modelo de sociedade que queremos construir. Só teremos futuro se resgatarmos o 1º membro do organismo social, a Vida Cultural, para perfazer os três poderes. Por isso a nossa proposta: criar o Conselho Cultural do Brasil (CCB), em Brasília.

E um de seus Departamentos é funcionar como “Banco Social” — por isso é necessário que os bancos públicos sejam incorporados ao CCB (o Estado não tem função bancária) — para fomentar o “empréstimo” ao indivíduo moralmente produtivo e à “doação” às instituições culturais, científicas e filantrópicas.

É preciso considerar as três formas do dinheiro: de compra, de investimento e de doação. O “dinheiro de compra” pertence à vida econômica (ao indivíduo), pois pode-se com ele adquirir e trocar bens. Corresponde ao lado egoísta normal, quando se refere à condição física de subsistência: alimentação, moradia, vestuário, colégio das crianças, viagens, remédios etc. Com relação ao “dinheiro de investimento”, corresponde à poupança e empréstimos (ao indivíduo que precisa de recurso para montar um negócio). A terceira forma é o “dinheiro de doação”.

Poderia surgir o argumento de que o imposto ao Estado já é uma forma (compulsória) de doação e nesse caso não se precisaria mais “doar” para outras iniciativas. No entanto é preciso entender este aspecto a partir da sua origem: o “capital” surge em decorrência da capacidade humana; e nesse sentido seria lógico que os excedentes da produção (os lucros) fossem direcionados de volta à vida cultural, para patrocinar: ensino, pesquisa, artes, saúde, religião etc. Por isso, as “doações” são as verdadeiras impulsionadoras das iniciativas, sejam elas beneficentes, científicas ou culturais.

O que significa ter “capital livre”, do qual tenha desaparecido o trabalho? É um capital acumulativo ou “capital devedor”, que pode se tornar “capital de empréstimo”, para se tornar, por meio do espírito criador humano, “capital produtivo”. A isso se denomina “circulação de capital” e é o mesmo processo que ocorre no “sangue humano”. Este, ao percorrer os pequenos vasos sangüíneos (capilares), “caminha sozinho”. Mas quando o sangue cai na gravidade (nos grandes vasos), começa a parar. É preciso que uma “força propulsora” imprima novamente maior “velocidade” e isso é realizado pelo coração. Essa é a função do Banco. Além disso, antes de devolver o sangue ao corpo, o que o coração faz? Encaminha o sangue ao pulmão, para ser “oxigenado”, isto é, para o sangue ficar novo. O mesmo se observa no caso de certa quantidade de dinheiro ficar guardada em casa: ele envelhece (por ter ficado fora do circuito econômico). Precisa ser “revitalizado” pelo Banco, para se transformar em “dinheiro novo” e ser colocado novamente na “circulação”. Assim o seu “poder de compra” aumenta. É isso praticamente o que o banco faz.

Enfim, nestes textos sobre o papel da América, estão sendo mostrados a “fisiologia do organismo social trimembrado”. Mas de nada adianta se não se reconhecer o ser humano como figura central deste organismo social. Em primeiro lugar ele precisa se desenvolver pela Educação, para o crescimento interior “ético” (virtudes); em segundo lugar ele necessita da Cultura, para o desenvolvimento “moral” (para viver e trabalhar na sociedade). Ou seja, é preciso a conquista do “individualismo ético”, para se tornar num ser “moralmente produtivo”.

Dr. Antonio Marques
Conselho Cultural do Brasil (CCB)

AMÉRICA VII



Criação do Conselho Cultural do Brasil (CCB)


Onde estão as mentes pensantes deste país para idealizar um projeto de sociedade que todos queremos? Como “organismo social saudável”, precisa abarcar as três esferas interdependentes e autônomas: “cultura - jurídico/política - economia”.

Até quando vamos suportar viver nessa polarização entre os “dois membros agigantados”: Estado mastodôntico e Imperium econômico? A questão básica não tem a ver com a briga política entre “esquerda – direita”, mas com a falta de visão das pessoas em não reconhecer a necessidade da Vida Cultural — a qual está atrelada e engessada ao Estado. Só que a gestão cultural não é de competência funcional governamental.

O Estado/Jurídico precisa se restringir à sua área de ação: promover “igualdade” entre os cidadãos, manutenção dos serviços básicos e de saneamento, segurança pública, etc — sem bancos estatais e sem bens de produção. O mesmo se deve exigir da economia: produzir bens para o consumo humano.

Apesar de a Vida Cultural estar presente desde os primórdios da humanidade na forma de Religião, assume hoje uma forma nebulosa e inconsciente na mentalidade das pessoas e das instituições como “ética e moral”, detentora da cultura, da arte, da educação, da ciência. Isso ocorreu, porque os outros dois membros sociais adquiriram independência: “Estado e Economia”. No entanto, a vida cultural permeia os outros dois setores do organismo social, porque por detrás da vida “social” (política) e da vida “econômica” (trabalho) encontra-se o espírito empreendedor humano. O indivíduo é que foi se imiscuindo, penetrando nas suas relações sociais e nas suas realizações no mundo — através da política (viver em sociedade) e finalmente através do lidar com as coisas do mundo (economia), respectivamente.

Nesse sentido é preciso compreender a diferença entre ética e moral, pois muitos veem como sinônimos. Isso ocorre por uma miopia histórica. A “ética” nasceu na Grécia (Ética Magna de Aristóteles e de Nicômaco) e a “moral” nasceu em Roma, nos comícios e assembleias populares, quando se precisava votar algo para o bem comum. O primeiro foi nomeado por Steiner como “individualismo ético”, porque ocorre dentro do indivíduo, como busca de virtude — e não existe código para essa área. A liberdade de expressão é inviolável e não permite censura nem reprimenda, desde que se restrinja ao indivíduo (qualquer um pode emitir opinião). O segundo se consubstancia em leis (legislação) típicas de um povo ou de uma profissão. Por isso é erro crasso denominar “código de ética”; mas é acertado dizer “código moral”.

No entanto, ética e moral são duas faces da mesma moeda, pois uma está voltada para o interior e a outra se volta para o mundo. O mesmo se pode dizer da religião e da ciência, respectivamente. Para uma “evolução ascendente”, precisa-se que se absorva a “ética” para o interior do ser humano e se exteriorize a “moralidade” para o mundo. Por isso a ética (indivíduo) e a moralidade (coletivo e mundo) são qualidades superiores a serem “treinadas”, pela Educação e pela Cultura, respectivamente, como habilidades para o justo relacionamento entre Eu e mundo. Assim o ser humano é remetido ao terreno do “viver político” em comunidade de vida (social, conjugal, familiar) e ao “viver econômico” (trabalhar para os outros). Mas quem deve orientar a humanidade nessas realidades? A política? A economia? O governo? A religião? Ou a vida cultural?

Uma das metas da Vida Cultural ou do Conselho Cultural, como primeiro membro do organismo social, deverá ser a de fomentar as atividades culturais, a ciência, a educação, a de promover o indivíduo na sociedade, a de integração internacional etc. Por isso se pleiteia a criação do Conselho Cultural do Brasil (CCB) em Brasília (DF), junto com demais poderes.

O dinheiro, que é um “instrumento da vida espiritual no mundo”, deverá ser usado com esse objetivo. Um dos Departamentos do CCB deverá funcionar como “Banco Social”. A circulação do dinheiro, que é uma função bancária (como os Templários criaram), deverá ser entregue ao Setor Cultural, pois só ele é movido pelo “altruísmo”. Nada contra os bancos particulares, que poderão existir, mas os bancos públicos devem ser incorporados ao CCB — porque o Estado não tem função bancária. Assim o dinheiro assumirá sua verdadeira e específica função no mundo = “empréstimo” para a pessoa moralmente produtiva; e “doação” para cultura, ciência e filantropia.

Outros departamentos devem ser criados dentro do CCB: de ensino, profissões, cultura, arte, ciência, tecnologia etc. Mesmo que continuem os Ministérios da Cultura (MEC), da Saúde (MS), da Ciência e Tecnologia etc, atrelados ao Estado, nas suas funções burocráticas, suas “racionalidades” e “conteúdos programáticos” devem ser prerrogativas do CCB.


liberdade - indivíduo livre (CCB)

Igualdade - democracia/justiça

Fraternidade - economia


As independências reivindicadas pela esfera cultural são mais no sentido de crescimento e interdependência, tendo como “causa final” o engrandecimento da totalidade do organismo social e do próprio ser humano.


Dr. Antonio Marques

Conselho Cultural do Brasil (CCB)



O LIBERALISMO QUER NASCER




Não temos modelo de Liberalismo no mundo, porque ainda não existe como instituição formalmente constituída. O Liberalismo permanece no imaginário das pessoas como doutrina baseada na liberdade individual. Em tempos imemoriais era representado pela Religião, a qual incorporava o Estado e a Economia (temos o exemplo do Estado fundamentalista dos Aiatolás) — o ser humano não tinha representatividade e estava subordinado ao sacerdote, ao monarca e à tribo. Esse período se nomeia de Unimembração Social.

Na antiga Roma nasce o Direito, o “civis romanus”, o cidadão de Roma, com direitos, deveres, propriedades, tribunais etc. Nasceu o Estado (Política e Justiça) e por isso se nomeia de Bimembração Social. Mas o ser humano continuava sob domínio dos imperadores e do trabalho (na maioria escravo).

Com as grandes navegações, precisava-se de “capital”, nascendo assim a Economia (capitalismo significa: aquele que usa a cabeça - “captis”); e que se torna a cada dia mais globalizada (para atender as necessidades do outro). Mas também não temos o ser humano livre, porque hoje está atrelado aos sistemas governamental e ao mercado. Ainda estamos vivendo período pós-Roma (Bimembrado) e dessa maneira o ser humano (o Liberalismo) se manifesta através do Estado, que se nomeia de “Estatização” (ditaduras de direita e de esquerda); e através da Economia, que se nomeia em “Neoliberalismo”. Não estamos ainda vivendo sob a égide da Trimembração Social (liberalismo - Democracia - Economia), porque o Liberalismo não nasceu ainda.

Apesar das inúmeras Revoluções que varreram o Ocidente (América do Norte, Bélgica, Itália, Suíça, França etc) e Conjurações (Mineira, Baiana, Carioca, Pernambucana e Suassuna), ainda não absorvemos os três ideais sociais iluministas: “liberté - egalité - fraternité”. Por isso estes ideais sociais polarizaram-se em ideologias (la droite et la gauche) e irromperam as Guerras. Por isso o organismo social continua doente. Até quando?

Falta nascer o 1º membro do organismo social — a Vida Cultural/Espiritual (Liberalismo) no seio da sociedade, para inaugurarmos a Trimembração Social. Por isso a nossa proposta de se criar o Conselho Cultural do Brasil (CCB) em Brasília, junto com outros poderes para dialogarem entre si e gerar saúde ao organismo social — e a todos nós.

Qual finalidade de se criar um corpo físico, uma instituição para o Liberalismo? Este órgão deverá se preocupar com os assuntos espirituais humanos e que tenha como tarefa a promoção dos mesmos. Exemplo: o dinheiro que é uma forma de ser realizar no mundo, deverá ser usado de forma altruísta: das suas três finalidades = de “compra” (de uso particular), de “investimento” e de “doação”, estes dois últimos deverão estar sob a guarda do CCB, para o indivíduo moralmente produtivo e para iniciativas de pesquisa, ensino e cultura, respectivamente. Para isso um de seus departamentos funcionará como Banco Social.

Esta criança precisa nascer. Precisamos de muitos obstetras, parteiros(as), enfermeiros(as), auxiliares, colaboradores, divulgadores, apoiadores etc.

Antonio Marques

ÍNDICE

Bloco 1 Abuso de Autoridade  O Fim da Política  Violência na Política  O Estado Teocrático  A Intromissão Estatal Imperium Estatal ...